segunda-feira, 30 de maio de 2011

Noite


                                    NOITE
                   
 Acolhe-me, ó noite platinada,
os pensamentos e a alma, num enleio,
a relembrar os sentimentos idos
como se eu fora dividida ao meio.
 
Ontem e hoje, tempo e espaço apenas,
revelam um sonho acalentado a dois.
Tínhamos tudo. O ontem foi feliz.
Não temos NÓS no espaço do depois...
 
Sinto-me só, na noite em que estás só.
A tua falta assenta-se na cama
a me dizer que o amor se tornou pó.
 
Diviso em névoa teu rosto querido
e digo à falta que me fazes (tanta!...)
que o nosso amor é vivo e, à noite, canta.