sábado, 2 de outubro de 2010



Costumo mentir às vezes
o que me vai no coração
negar
esconder
burlar
fingir
Mas é somente para mim que o faço
a fim de ocultar
o que não quero dizer com meus lábios
que um dia tocaram os teus
e nunca mais 
pude apagar as marcas...







Fim



Estou de saída  



abstraída do amor


decepcionada demais...



Na partida


desmancho a ilusão


que me norteava.



Não mais te quero


Não mais te busco


Não mais te creio.



Rompeu-se o cristal


antes tão límpido


hoje aos pedaços.



Afasto-me só


Sem saudades


Sem lágrimas



Apenas entristecida


na ausência do sonho


que somente eu sonhei.


Fraqueza



Eu calei mais do que poderia


e fiz da minha vida


um murmúrio extenuado.


Longo foi o tempo que passou


e te fiz acreditar


que jamais te amei...


Hoje, chegando quase ao fim, 


tenho desejos de gritar,


de te falar do meu amor,


mas _mais do que antes_


apenas sussurro teu nome amado,


enquanto no peito,


o coração explode de saudade...


Amor que não vivi...








Eu sei que nunca fui capaz de amar alguém em toda a minha vida, de ter um relacionamento saudável com um homem de quem me enamorasse. Não com profundidade(talvez por não ter desenvolvido totalmente o meu Complexo de Édipo). 
Lembranças escassas de pessoas que não chegaram a ser importantes, nem relembráveis sequer, mostram esse meu defeito _ o desapego.
Não sei se aprendi a ser assim, em fuga sempre, temendo a rejeição que permeou minha existência primeva e me levou a crer que seria uma constante nos relacionamentos, ou se nasci com tal deformidade.
Nem mesmo a você eu amei o suficiente para evitar o afastamento, a bifurcação dos caminhos... Nada fiz para evitá-la. Em nada mais pensei quando assumi uma nova etapa de vida.
No entanto, havia em você algo mais profundo, mais aderente e mais doce. Sua personalidade mansa, pacífica, atraia a minha selvageria e brutalidade.
Por anos a fio fiz da minha vida um espetáculo deprimente, frio, inóspito, numa defesa que nem mesmo conhecia direito, nem mesmo compreendia plenamente. Onde o inimigo? Onde o perigo?
Nunca o soube...
Mas por anos a fio você foi sempre o modelo, a referência do que era bom, maravilhoso. Ninguém nunca o superou e nem sequer se igualou a você.
Por isso tudo, caminhando agora para o fim, reconheço (não sem uma dor alucinante) que amei uma única vez na vida, amei sem consciência, sem a necessidade de aprisioná-lo ao meu estranho e apavorante mundo. 
Permiti o impensável: que você saísse do meu lado, sem derramar sequer uma lágrima, sem um único gemido.
Desconhecia o conhecimento das almas... Nem suspeitava que o verdadeiro amor estava nelas...
E assim, na ignorância do conhecimento mais puro, atravessei a vida com a sensação amarga do vazio e carregando sempre bem próxima ao coração a sua imagem, a lembrança do seu caráter, o seu sorriso fácil, o seu carinho inigualável.
Hoje, separados por anos em que só provei infelicidades que dilapidaram minha alegre inconsequência, retomo com turbulência a lembrança de nós dois e começo a desejar que este longo espaço de afastamento seja retirado de entre nós...
Uma vez mais desejo você e, com tal intensidade, que passo a me comportar como uma adolescente. Quero ouví-lo, tocá-lo, sentí-lo a qualquer preço, sem restrições.
Sinto a reciprocidade em você, porque nossas almas nunca se separaram, nunca deixaram de se amar, mas não creio que possamos retomar nada... 
É um novo adeus, mais denso e, desta vez, com a dor lancinante do "nunca mais".
Se um dia você se lembrar de mim, depois que eu me for, abençoe uma vez mais o nosso amor antigo e renovado. E minha alma estará com você... eternamente...











Demis Roussos - Goodbye my love goodbye


Quando tudo me leva a crer que a saudade é a última que morre...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cansaço






No meio da noite agonizo
sem chegar ao porto
corpo morto
mente ativa
e o desejo sobre-humano
de me virar e ver
que ainda estou aqui.












domingo, 26 de setembro de 2010

Donnie_Swaggart - Cafetões da Prosperidade





Desculpa, Chico Xavier


Marcelo Lemos

Uma grande controvérsia tem movimentado os bastidores do Espiritismo no Brasil: Seria Chico Xavier a reencarnação de Allan Kardec, o ‘grande codificador’ de Lyon? De um lado há o grupo que acredita na tese e, de outro, como em toda controvérsia, aqueles que a negam. Entre os grupos, e mesmo dentre eles, estão os moderados que erguem voz para alertar do perigo de perderem o foco com discussão tão inútil.

Virtualmente ignorante à discussão a que nos referimos, a grande massa segue sendo bombardeada com propaganda espírita por todos os lados. A Rede Globo, por exemplo, parece ter escolhido 2010 como o “Ano do Espiritismo” - a começar pela novela ‘Escrito nas Estrelas’, de Elizabeth Jhin, e a estreante mini-série A Cura, de João Emanuel Carneiro, estrelada por Selton Melo. A história, em nove capítulos, com formato de série americana, conta a história de um médico acusado de matar um colega, e que descobre que tem poder de curar as pessoas através de cirurgias espirituais... O autor declarou em entrevista que a história sobre um curandeiro é algo que sempre quis fazer, pois “é
 uma forma de abordar o sobrenatural de uma forma bem brasileira”.

Nunca a espiritualidade esteve tão em alta, que os cinemas brasileiros não me deixem mentir. O filme “Chico Xavier”, segundo a Folha de S. Paulo, só na semana de estréia, em Abril, arrastou para frente da telona nada menos que 590 mil pessoas. Desde então, mais de 3 milhões de pessoas já assistiram ao filme. Deu um verdadeiro olé em cima do tão aclamado “Lula, filho do Brasil”, que na estréia se contentou com 220 mil espectadores, e ficou muito perto de “Avatar”, superprodução americana, que atingiu perto de 800 mil espectadores na semana de estréia no Brasil.

Seja na tela do cinema, seja na tela da TV, o fato é que o espiritismo anda em alta ultimamente. Sem pesquisar muito, só citando o que podemos lembrar num segundo, ao menos quatro dos mais bem-sucedidos seriados americanos trazem conteúdo espírita: Cold Case; Supernatural, Médium e Ghost Whisperer. A fórmula parece ir tão bem nos índices de audiência que até seriados mais ‘sérios’, como Grey’s Anatomy, andam flertando com o ‘outro mundo’. Na segunda temporada da série, Meredith Grey, personagem principal da história, fica entre a vida e a morte, e numa EQM, experiência de quase morte, encontra-se com inúmeros falecidos, incluindo um grande amor... Seriam as visões de Grey, apenas reações químicas do cérebro inconsciente? Seriam experiências reais com o sobrenatural? Os autores deixam ao telespectador o sabor de julgar.

Ainda que o risco de alguém vir a se tornar espírita por influencia de qualquer destas obras seja questionável, é de bom juízo, e do dever cristão, conhecer mais de perto o que a Doutrina Espírita pretende ensinar. Tal conhecimento não apenas nos protege de contaminação, como também nos serve de ferramenta na hora de comunicar o Evangelho da Graça àqueles que estejam seduzidos, em maior ou menor grau, por tal filosofia religiosa – e não são poucos, como podemos supor pelos dados acima.

Indo direto ao ponto, e sem pedir desculpas pelo que será dito, o Espiritismo é uma filosofia absolutamente anticristã. Certamente vão chover protestos contra esta afirmação, até porque, os espíritas definem-se a si mesmos como “cristãos”. Na verdade, vão ainda mais longe, ao afirmarem que sua filosofia seria uma mais elevada revelação da mensagem de Jesus. Todavia, basta um breve olhar para se perceber o quanto a Doutrina Espírita contradiz a Mensagem do Cristo.

Para provar este ponto, destaco a forma antibíblica como eles se valem do termo “expiação” – o que nos levará diretamente a outro dogma espírita, a reencarnação. Todo cristão sabe – ou deveria saber – que o termo “expiação” vem lá do Antigo Testamento, quando o povo hebreu foi ordenado a oferecer sacrifícios por seus pecados. Havendo cometido pecado, o homem ofertava a Deus um animal inocente que, tendo seu sangue derramado, expiava a ofensa do pecador, tornado este novamente aceitável a Deus.
“E quando o pecado que cometeram for conhecido, então a congregação oferecerá um novilho, por expiação do pecado...” – Levítico 4.14.

O sacrifício de uma vitima inocente realizava a expiação pelo pecado do transgressor. Este é o conceito bíblico de expiação; evidentemente, tal conceito de expiação se aplica a Obra Expiatória realizada pelo Cristo, nosso Senhor e Deus. Tal realidade já se prefigurava desde os tempos proféticos, e é belissimamente sumarizada no poema de Isaías:
“Seguramente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si; nós O reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho. Porém o Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos” – Isaías 53.4-6.

No entanto, nada disso se aplica a teoria espírita sobre a expiação. No espiritismo não existe salvação por Graça, muito pelo contrário, ali a salvação deve ser buscada a duras penas, como recompensa pelas boas ações dos homens. É bem honesta a forma como um dos espíritos guia de 
Allan Kardec descreve o mundo imaginado pelo Espiritismo: um purgatório! “Quase sempre, na Terra é que fazeis o vosso purgatório e que Deus vos obriga a expiar as vossas faltas” (Livro dos Espíritos, versão digital).

Não existe perdão no Espiritismo, portanto, ali não se fala em Graça Salvadora. O homem, segundo os espíritos guia do kardecismo, não é salvo pela Graça de Cristo, mas por si mesmo. E, neste mundo-purgatório, os homens, através do sofrimento e das boas ações, vão purificando-se, pagando a Deus o que Lhe devem, e alcançando um degrau a mais na evolução espiritual. Mas, como nem sempre dá tempo de pagar todas as dívidas numa única existência, o homem se vê obrigado a reencarnar inúmeras vezes – até que pague o último centavo de sua dívida!
“Um senhor, que tenha sido de grande crueldade para os seus escravos, poderá, por sua vez, tornar-se escravo e sofrer os maus tratos que infligiu a seus semelhantes. Um, que em certa época exerceu o mando, pode, em nova existência, ter que obedecer aos que se curvaram ante a sua vontade. Ser-lhe-á isso uma expiação, que Deus lhe imponha, se ele abusou do seu poder. Também um bom Espírito pode querer encarnar no seio daquelas raças, ocupando posição influente, para fazê-las progredir. Em tal caso, desempenha uma missão” Livro dos Espíritos, versão digital

O Espiritismo não é cristão!


Cristo, a Vítima Inocente, é quem realizou uma perfeita Expiação pelos nossos pecados. Não por menos ser posto como doutrina fundamental da fé cristã uma ‘salvação por graça’, como bem expressa o Santo Apóstolo: “.
.. sendo justificados livremente pela Sua graça, pela redenção que está em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para ser uma propiciação, pela fé no Seu sangue, para demonstração da Sua justiça, pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para a demonstração da Sua justiça, pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para a demonstração, digo, da Sua justiça neste tempo presente, para que Ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:24-25).

E se acrescente Efésios 2.4-9: “
Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”.

Nossa Redenção encontra-se em Cristo justamente pelo fato de que ele “s
e entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (Efésios 5.2). Não reencontramos nosso lugar ao lado de Deus por méritos pessoais, antes, pela Graça de Deus, a qual, por meio de Cristo, nos reconcilia consigo. Este é o ensino de todo o Novo Testamento. “... Cristo morreu por nós. Muito mais então, sendo justificados pelo Seu sangue seremos salvos da ira de Deus por meio dele.” (Romanos 5:8,9). “... nossa páscoa também foi sacrificada, mesmo Cristo.” (1 Coríntios 5:7). “... Cristo morreu por nossos pecados, segundo a Escritura” (I Coríntios 15:3). “Aquele que não conheceu pecado. Fê-lo pecado por nós, para que nEle fossemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21). “... ofereceu para sempre um sacrifício pelos pecados” (Hebreus 10:12). “Porque Cristo também sofreu pelos pecados uma vez, o justo pelos injustos, para que nos trouxesse a Deus ...” (I Pedro 3:18). “Cristo nos redimiu da maldição da Lei, fazendo-Se maldição por nós” (Gálatas 3:13). “... foste morto e remiste para Deus com o Teu sangue homens de toda a tribo, língua, povo e nação” (Apocalipse. 5:9).

Foi pesquisando o grande sucesso do filme Chico Xavier, e do fenômeno espírita na mídia, que tive a idéia do título deste artigo. Em minhas andanças na Internet, encontrei uma mensagem de um entusiasta que dizia mais ou menos o seguinte: 
“Obrigado Chico, por tudo o que você nos ensinou, e para o que tem despertado o Brasil, mesmo de onde você está nos vendo!”. Então, pensei com meus botões: “Chico está nos vendo?”. Bem, o caso é que se eu acreditasse nisto, também teria uma mensagem para este ilustre brasileiro: “Me desculpe a franqueza Chico, mas, ainda que sua filosofia tenha lá suas virtudes, ela não é, e jamais foi cristianismo!”.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” – João 3.16


Marcelo Lemos Edita o Olhar Reformado e é colaborador do Genizah

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O Segredo de Chico Xavier


Marcelo Lemos


Não sou muito fã de televisão, não que eu não goste, mas porque acho a coisa viciante, então, para meu próprio bem, fujo dela. De modo que, raridade das raridades, domingo passado, lá estava eu assistindo a ‘telinha’ (ou seria, ‘telona’?). Bem, cá entre nós, eu até tinha um bom motivo para gastar meu fim de noite na frente da TV: um baita jogo da NFL, e eu simplesmente adoro futebol americano. Porém, como nem tudo é perfeito, hora dos comerciais, e lá vou eu dar aquela famosa zapeada quando, pimba! - minha atenção se prende ao anuncio feito pelo apresentador do Fantástico: “Antes de morrer, Chico Xavier deixou um incrível segredo...”. 
Tendo recentemente escrito um artigo sobre o Chico, fui automaticamente ‘fisgado’ pela isca do programa Global e, totalmente a contragosto, abri mão dos brutamontes quebradores de vértebras, para assistir ao Fant... bem, vocês sabem o nome da aberração, né? Como a curiosidade foi maior que a volição, rendi-me por alguns minutos. Afinal, que segredo teria sido deixado por Chico Xavier antes de morrer? 
Para o caso de algum E.T. estar lendo estas linhas, contextualizo: o Brasil vive uma verdadeira febre “Chico Xavier”! Este homem foi simplesmente o maior médium espírita que o Brasil já conheceu, e, imagino, que um dos maiores em todo o mundo. Trata-se de um fenômeno tão gigantesco que milhões de dólares têm sido amealhados por aqueles que promovem o seu nome e história, seja na televisão, no cinema, ou em qualquer outro meio de comunicação. Só para ilustrar este fato, tenha em mente que entres os brasileiros mais cotados para a indicação ao Oscar 2011 estão: “Chico Xavier”, e “Nosso Lar”; este último, uma filmagem da obra de maior sucesso do médium, na qual, supostamente, ele recebe a história do médico André Luiz.
Voltando ao segredo de Chico, do que se trata? Segundo a reportagem, o médium, anos antes de morrer, pensou em uma senha, com a qual seus seguidores poderiam autenticar uma futura carta psicografada que ele enviaria do além-túmulo. A senha é formada por três palavras, cada uma delas confiada a três pessoas diferentes: uma esta com o filho adotivo, outra com seu médico pessoal, e a terceira com uma amiga. Segundo acreditam, caso encontrem as três palavras juntas numa carta psicografada, saberão que a mesma foi enviada por Chico.
Não é exagero afirmar que a mídia, quer por comprometimento ideológico, quer por simples percepção de mercado, esteja promovendo este grande avivamento espírita no Brasil. Todavia, alheia ao que ensinam as Sagradas Letras, a mídia não é capaz de se pronunciar sobre o verdadeiro segredo por trás de fenômenos como Chico Xavier: os demônios. Um segredo do qual, certamente, nem mesmo Chico tivera percepção durante sua vida, “e que não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (II Cor. 11.14).
“Eu vejo gente morta!”
Quem não sentiu verdadeiro arrepio ao ouvir estas palavras da boca do angelical Cole Sear, o menino capaz de falar com os mortos, no fantástico filme de horror psicológico “O Sexto Sentido”? Poder ver e se comunicar com gente morta parece ser a maior sedução do espiritismo. A cada nova reunião médium, homens e mulheres, jovens e velhos, se reúnem com o objetivo de encontrarem consolo e orientação para a vida, as quais são recebidas por meio de contatos com entes queridos que ‘desencarnaram’. 
Durante sua vida, Chico Xavier atendia, literalmente, milhares de pessoas que formavam gigantescas filas diante de sua residência, em Uberaba, Minas Gerais. Todas elas, sem exceção, carregavam um único desejo: poder falar com gente morta.
Porém, existe uma verdade que permanece desconhecida por estes fascinados pela mediunidade; apesar de não se tratar de um segredo, pois a Bíblia o revela claramente, é um fato permanece como algo velado a estes, devido à cegueira espiritual, dado que “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do Evangelho da glória de Cristo” (II Cor. 4.4). Que verdade seria esta? 

Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti” (Deuteronômio 18. 9-12).

Inquestionavelmente, todos que buscam o ‘mundo além túmulo’ pretendem agir conforme a vontade de Deus, e também encontrar, meio a esta busca, um jeito mais eficiente de fazer a Vontade de Deus. Com efeito, especialmente no Espiritismo, há uma valorização tão grande dos ensinamentos éticos de Cristo, que a conduta de boa parte deles deveria fazer inveja em muitos dos que se dizem “cristãos ortodoxos”. Todavia, boas obras não são suficientes, precisamos saber se o que acreditam é aprovado pelas Escrituras.
Outro fato incontestável é o grande poder de sedução da mediunidade. Em outro artigo, comentamos o sucesso do tema na televisão e cinemas. Este incrível poder de sedução não é algo novo, podemos encontrá-lo desde imemoriais tempos bíblicos. Por exemplo, apesar das severas punições que a Lei de Deus impunha contra os que praticavam a necromancia, um profeta Isaías abismado, repreende o povo de Israel pela loucura de não consultarem a Deus, preferindo, no lugar, consultar os mortos! Mas, questiona num misto de espanto e ironia, como poderão os mortos auxiliar os vivos? Não seria mais racional buscar auxilio no Deus Todo-Poderoso?

Quando, pois, vos disserem: Consultai os que têm espíritos familiares e os adivinhos, que chilreiam e murmuram: Porventura não consultará o povo a seu Deus? A favor dos vivos consultar-se-á aos mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8.19-20).

Não existe Luz, diz o Profeta, naqueles que nos induzem a uma prática que contraria a Lei do Senhor. Esta solene e terrível advertência se deu contra aqueles que propunham a consulta aos mortos. A proposta de tal consulta não se dava por mero capricho, estejamos certos; obviamente seus promotores apregoavam os benefícios de tal prática, quem sabe ilustrando-os com exemplos tirados das nações pagãs que os cercavam. Porém, existe um padrão maior para avaliarmos qualquer prática religiosa: “A Lei e ao Testemunho”. Significa que, por mais que algo nos pareça benéfico, e ainda que nos traga algum bem imediato, se não está de acordo com as Escrituras, deve ser rejeitado.
É provável que muitos estejam sendo embalados pela sedutora canção do Espiritismo, especialmente em momentos em que, como agora, há tanto fervor e promoção de seus ensinos. Ainda mais provável que uma multidão de fãs e seguidores de Xavier, esteja aguardando ansiosamente que os “protetores de seu segredo” consigam encontrar as “três palavras secretas” em algum dos muitos escritos psicografados, a fim de poderem, uma vez mais, receberem o auxilio de Chico. Mas, o verdadeiro segredo desta odisséia espiritual, permanece velado para os olhos desta incontável multidão: Chico jamais ensinou o Evangelho de Jesus, sua vida foi dedica a algo que a Lei de Cristo define como “abominação”. 
Estou ciente, caros amigos, que minhas afirmações sobre este tema soarão ofensivas para muita gente, inclusive para membros da minha família, por quem nutro sincero e profundo respeito, no entanto, creio não existir amor que se impeça de falar o que é verdadeiro. Peço aos senhores, em minha derradeira argumentação por hoje, que analisem o quanto a Doutrina Espírita difere dos ensinamentos de Jesus.
O Evangelho ensina que o homem precisa de Regeneração, ou Novo Nascimento

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo” (S. João 3. 3-7). 

Mas, de acordo com a Doutrina Espírita, o homem precisa apenas se evoluir moral e espiritualmente (o que se daria por meio de inúmeras reencarnações): 

“Segundo Allan Kardec, através das instruções dos Espíritos Superiores, a Terra é um planeta atrasado, de provas e expiações. Portanto, morada de Espíritos imperfeitos que necessitam de ajustes decorrentes de sua própria condição espiritual. Não se mandam pessoas sãs aos hospitais e a Terra é um grande hospital, onde habitam criaturas enfermas da alma para sua depuração através de suas experiências na matéria. As injustiças sociais são conseqüências do egoísmo e orgulho do homem atrasado. Com a evolução social e moral da humanidade, o homem aperfeiçoará suas leis e viverá numa sociedade mais justa e fraterna” (Portal Espírito).

O Evangelho ensina que a Vida Eterna é alcançada por meio da Graça de Deus: 
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Efésios 2. 8-11).

Não se pode negar que as boas obras estejam presentes no Novo Viver, todavia, segundo Paulo, a origem da nossa Salvação é a Livre Graça de Deus, em Cristo, e que por meio desta salvação, o homem é feito capaz de andar em novidade de vida: 

“somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras”. Mas, segundo o ensino do Espiritismo, a salvação é obtida mediante o esforço de cada ser humano: “Na verdade, o céu não se trata de um lugar demarcado, mas de um estado de perfeição espiritual conquistado individualmente pelo Espírito, através de seu constante esforço. O que vale dizer que uns apressam e outros retardam seu próprio progresso” (Portal Espírito).

O Evangelho ensina que para os incrédulos há uma Condenação Eterna: 

“Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios” (II Pedro 3.7). “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (S. Mateus 25.41). “Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder” (II Tes. 1. 8,9).

Na contramão, os Espíritos Superiores do Kardecismo, garantem que estes temores são infundados: 

“O inferno, ou trevas segundo a Doutrina Espírita, é um estado de consciência compartilhado por aqueles cujos defeitos e sentimentos ruins predominam em suas personalidades, que se inclinam ao mau e nele se comprazem. São apenas irmãos imperfeitos e ignorantes, que têm o inferno dentro de suas próprias consciências e que, através de novas oportunidades dadas pelo Pai Celestial, através de sucessivas experiências encarnatórias também alcançarão a perfeição” (Portal Espírito).

Poderíamos seguir citando outros exemplos, com as devidas comparações, mas, quero crer, os acima já são o bastante. Não se trata de desconsiderar a contribuição moral e social da Doutrina Espírita, mas sim, de verificar o que Cristo tem a nos ensinar sobre as doutrinas relacionadas. E, como demonstramos, o ensino bíblico sobre a necromancia, e também sobre os distintivos do Kardecismo, não é nenhum segredo: “abominação”. Entretanto, muitos seguem distraídos por outros segredos, e a Verdade do Cristo, que não é segredo, lhes permanece velada...

Marcelo Lemos é colaborador do Genizah. Visitem o seu ótimo blog Olhar Reformado.


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