terça-feira, 19 de outubro de 2010

Imortal


Outono dos meus verões,
sol posto, folhas caídas,
caminho amarelecido
dificultando saídas...

Folhas mortas _ minhas perdas_
o melhor do meu passado
que o vento dilapidou
a cada passo avançado.

Junto em montes folhas secas
que o fogo destruirá,
mas... de repente... surpresa!
Uma delas na árvore está.

Toco-a, tenra, suave, bela,
embora já tão antiga.
Por que não envelhecera?
Por que com o tempo ela briga?

É a folha do amor vivido,
sobrevivente, imutável,
resistindo à chuva e ao vento,
incólume, inabalável...

Percebo (e quanta alegria!)
que o passar do tempo mau
não a tocou. Ela é imune.
É o nosso amor... imortal...